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REFLEXÕES E DEVANEIOS SOBRE O SER FEMININO

Acorda cedo, ajuda a mãe com os afazeres da casa, entre o limpar a casa e o cuidar dos irmãos mais novos, ela se apressa pra ir pra escola – se troca, pega a mochila e vai! Vai calmamente para mais um dia de aula, onde muitas vezes as falas machistas imperam sobre ela (sobre elas), mas que são naturalmente naturalizadas e, por isso, tornam-se imperceptíveis. Normalmente silenciada, ela se constrói dentro dessa sociedade pseudodemocrático e verdadeiramente machista.

Na sala há uma interrupção! eles autoritariamente entram e exigem que todas as meninas vestidas inadequadamente sejam avisadas e tomem ciência que o ambiente escolar não admitirá o corpo feminino com aquelas roupas indecentes – os decotes, as regatas, as saias, as calças jeans rasgadas, os tops cropped.

– Mas, por quê? Audaciosamente questiona uma das estudantes!

A resposta confirma e evidencia a postura machista e intolerante de algumas instituições de ensino: “tais roupas provocam os meninos!”

No dia seguinte, ela…

Acorda cedo, ajuda a mãe com os afazeres da casa, entre o limpar a casa e o cuidar dos irmãos mais novos, ela se apressa pra ir pra escola e, de repente, lê em site de jornal uma denúncia que algumas estudantes sofreram assédio por estarem vestindo com roupas inadequadas para o ambiente escolar. Agora, ela entende que o desconforto e a vergonha do outro dia têm nome e se chama assédio. Diante disso, ela e suas amigas sabem que aquilo que aconteceu em sala de aula não é apenas uma norma escolar, mas também é um tipo de assédio que tem a ver com a estrutura do pensamento machista que governa sutil e discretamente as nossas relações sociais, mas que não devem ser encaradas com naturalidade em, nem deve ser aceito passivamente.  

Elas passaram, então, a questionar as vestes dos meninos e seus corpos, afinal, eles também andam com regatas, bermudas, muitas vezes deixam as cuecas para fora e, alguma das vezes, mostrando o cofrinho. Mas, não sofrem abusos e assédios, tais como elas, tais como nós mulheres!

Infelizmente, a questão que se descortina com essas denúncias que estamos presenciando nessas últimas semanas não tem a ver necessariamente com as roupas das meninas, mas sim, tem a ver com o machismo estrutural que distorce o discurso, colocando o corpo das mulheres como provocantes enquanto que o comportamento inadequado dos homens diante do corpo feminino é naturalizado. Não devemos aceitar, exigimos respeito, confrontamos o silenciamento, somos afrontosas porque é o caminho da nossa existência!!!

9 comentários sobre “Que Roupa é Essa, MeniNa?

  1. Citando um manifesto das estudantes do Colégio Anchieta em Porto Alegre: “Ao invés de humilhar meninas pelos seus corpos, ensinem os meninos que elas não são objetos sexuais.” Por falar nessas meninas corajosas, você está sabendo se ainda há a onda dos coletivos feministas nas escolas?

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá Escola Feminista, tdo bem? seja bem-vinda ao blog, obrigado pelo comentário, então, pelo que eu saiba aqui em SP, na periferia onde leciono há mais de dez anos, nao tenho visto os coletivos feministas nas escolas. Que interessante, do q se trata exatamente? eu não conheço esse trabalho nas escolas… mas fiquei curiosa, brigada novamente, grande abraço. Marcela

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  2. Prezada Marcela Santos, soubemos que houve entre 2014 e 2016, em Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e outros estados uma certa onda de feminismo entre as estudantes de escolas particulares e também públicas, em geral protestando contra o assédio e também contra regras discriminatórias sobre roupas. Criaram diversos coletivos de meninas. No entanto, nunca mais ouvimos falar, por isso perguntamos. Talvez a m´ídia simplesmente não esteja mais divulgando de maneira ampla, quem sabe?
    Atenciosamente,
    A equipe da Escola Feminista.

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    1. ah sim… obrigada ❤🌻✊🏾

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    2. Rita Gama disse:

      Bom dia….. que interessante, aqui em São Paulo, na região em que eu leciono as meninas ainda se sentem culpadas, quando são criticadas pelas roupas, poucas tem a consciência de que a culpa não é delas. Gostaria de fazer parcerias e trazer para a escola onde leciono, essa reflexão de que o corpo é delas e não a culpa.

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  3. Todas vocês, alunas, mestras, mães etc estão convidadas para fazer os cursos gratuitamente que estamos promovendo. Atualmente, está aberto o curso de iniciação ao feminismo, abordando todas essas questões de liberdade para as mulheres. O curso é com certificado. Disponha de nós para quaisquer esclarecimentos e pode continuar nos contatando!

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    1. FilooSoPhiia disse:

      brigada pelo convite… vou divulgar tbm

      Curtido por 1 pessoa

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